Pular para o conteúdo principal

Síndrome da Esfinge

Aqui na minha cidade tem uma garota. Uma garota comum. Bem comum. Que sonha com o príncipe mesmo já tendo passado por um sapo e mais alguns anfíbios que ela tanto odeia e prefere evitar. Que adora comer chocolate e odeia engordar. E odeia espinhas. Eu já falei que ela odeia engordar? Pois é, ela odeia. Ah sim, essa menina lê muito, tipo, demais mesmo. Lê tanto que gostaria que os personagens favoritos dela fossem de verdade. 
Você também gostaria? Pois é, quase todos que curtem um livro gostariam. Eu disse que ela era comum. 
Ela é uma menina tímida, insegura, introvertida, sonhadora e indecisa. Como ser tímida e introvertida ao mesmo tempo não é pleonasmo? Calma, eu vou te explicar. 
É que, além de ser tímida, não é pra todos que ela se mostra. Apesar de conhecer muitos, nem todos a conhecem bem. Ela tem medo de mostrar seus defeitos e de ninguém ver suas qualidades, que podem até ser muitas, mas ela não vê. Ela é aquela típica menina que se acha misteriosa, mas tá louca pra alguém chegar com a solução pra charada que ela é, até pra si mesma. Talvez até apenas para si mesma. Sabendo mais sobre ela, você vai ver que cada coisinha mínima que ela tem de diferente a torna especial. 
Você sabia que ela só bebe Nescau se for com leite em pó? 
Ou que ela gosta de menta mas odeia hortelã? 
Pois é, não sabia. Você só sabia da aparência de menina comum. Porque é isso que ela é, ela é comum. 
Não, ela não tem um perfil de devoradora, mas querer saber mais sobre ela vai te consumir, eu sei que vai. E nessa aparente normalidade é que ela te desafia: tenta me conhecer, tenta enxergar dentro de mim, ou "decifra-me ou te devoro".
Vivian Pinto
Quem souber o nome e o autor da pintura, agradeço, porque não lembro kkk
Beijos rimados pra vocês :*

Comentários

alfacinha disse…
Este pintor pinta como um poeta.
O seu nome é poeta pintor
Abraços
Bípede Implume disse…
Olá Vivian
Que bom que você voltou.
E com uma história bem engraçada. Parece-me que essa menina existe em cada uma de nós.
Vejo que o meu amigo Alfacinha deixou um comentário. Como vocês dizem, ele é bem legal.
Beijos de Lisboa
Isabel

Postagens mais visitadas deste blog

cheio de nada

O silêncio dói.
Não saber o que falar incomoda.
A cada palavra não escrita a mão coça
a cada palavra não ouvida o corpo se molda
em algo maior ou menor
dependendo do que for
ou do que deixa de ser.

O não dito corrói.
Queima entre os espaços cheios de nada
que todo o resto vai deixando
conforme a vida acontece
e o resto vai se mostrando
para ser modificado pelo tempo.

O silêncio não faz sentido.
Ele vai se perdendo cada vez que se mostra
ele vai se esvaindo a cada exposição,
pois o silêncio não tem coração,
ele pode até ser inspiração,
mas não é inspirado.

A tua cabeça não mais trabalha,
o teu ouvido não mais escuta,
e teu coração não sente mais culpa,
talvez não sinta amor,
talvez não sinta paixão.
Tua frase não mais se constói,
você está cheio de nada,
porque o silêncio dói.

Oceano

Cada um é um mar.
Alguns mares são mais frios, outros mais distantes, ou revoltos, porém são sempre mar.
Você às vezes nada tanto pra dentro de si mesmo que parece que nunca mais vai voltar. Talvez às vezes você nem volte mesmo. 
Quanto mais você nadar, quanto mais pra dentro você for, mais escuro o caminho vai ficar, o desconhecido carece de luz, e isso não é necessariamente algo ruim, mas com certeza é assustador. É assustador conhecer a si mesmo, perceber a luz e a sombra que habita em você.
Acontece que, às vezes, ir pra dentro não é ir para perto. Você acha que tá lá, chegando perto do que você é, mas quando parece que tá quase lá, não tá, e cada vez mais você persegue algo que você talvez nunca alcance, e aí, quando se dá por si, não existe destino, mas também não tem como encontrar o caminho de volta.
Por muitas vezes eu só lamentei não ser mais o que um dia fui, e até hoje, até agora, enquanto escrevo aqui, eu gostaria muito de ser quem eu era. Eu costumava dizer, e estava di…

o enigma de mim mesma

Não gosto de gaiolas, gosto de ter espaço pra voar mesmo que eu resolva me demorar. Gosto de ser entendida, mas não adivinhada, o meu livro não é para todos, ele mal é pra mim. Sou apenas uma personagem  com caprichos, vontades e muitas eternidades. Gosto dos meus gostos e desgosto dos meus desgostos Faço coisas por impulso, e em outras penso bem, você é vários e eu também. Gosto de voar, mas preciso ter onde descansar, e se isso não é possível, só me resta aceitar, e, quando der, mudar. Pois onde não posso ser inteira, não me demoro. "Decifra-me ou te devoro."