Trevas
É difícil escrever o que o mundo começou a perder ontem.
É difícil descrever o que o mundo sente.
É muito difícil falar do incêndio que comeu o Museu Nacional do RJ na noite de O2/O9/2O18. Assim mesmo, com a data em destaque, pra não cair no esquecimento, como o museu, infelizmente, já havia caído na mente de quem deveria cuidá-lo, e, até mesmo, de algumas que não tinham exatamente esta obrigação, mas nem se lembravam da sua existência. O descaso estava se instalando em torno da situação, da falta de verba, de cuidado e de amor que pairava naquela atmosfera de passado querendo influenciar o futuro.
Tive a (muitíssimo) feliz oportunidade de visitar o Museu em 09/2015 (olha que coincidência), e ver com meus prórpios olhos um dos lugares mais lindos e gostosos de se visitar que eu já fui, pode não ser muito se a gente colocar em devidas proporções, mas pra mim, poeta menor, foi, e foi muito mais que muito. E, mesmo há 3 anos atrás, mesmo com muitas alas fechadas, ainda era o maior acervo histórico da América Latina; uma imponência tão grande, porém que abraçava ao invés de sufocar, uma característica não muito comum.
O mundo anda muito ignorante. Não burro, não sem conhecimento, mas sem vontade de aprender, absorver e de buscar, e nada poderia ser uma metáfora mais (im)perfeita do que o fogo. Uma parte muito grande e muito importante da história da humanidade foi perdida, e, ao mesmo tempo, escrita. Assim como a Biblioteca de Alexandria, o fogo ao mesmo tempo apaga e eterniza (será?) toda uma era de história e conhecimento, e cabe a nós aprendermos com ela, para que não precise mais haver um grande incêndio para aprendermos a dar importância às coisas que importam fora da nossa bolha de existência diária.
Que haja sabedoria para tirar proveito da escuridão que é estar sem passado, e que haja tecnologia para podermos acender novamente a luz, mesmo que ela não tenha tanta intensidade.
Que haja aqueles que aproveitam cada oportunidade, e transformam o mundo num lugar melhor.
Que haja aqueles que se esforçam para não cair na preguiça de deixar pra lá, pois triste é o povo que não tem passado, mas mais triste ainda é o povo que o perdeu e não fez nada pra recuperar.
***IMPORTANTE***
OS ESTUDANTES DE MUSEOLOGIA DA UNIRIO ESTÃO SE MOBILIZANDO PARA CRIAR UM ACERVO DIGITAL E AJUDAR A PRESERVAR A MEMÓRIA DO MUSEU. QUEM TIVER QUALQUER TIPO DE FOTO OU VÍDEO QUE MOSTRE O MUSEU E SUAS OBRAS, ENVIE PARA O E-MAIL thg.museo@gmail.com, VAMOS USAR A TECNOLOGIA À NOSSO FAVOR! <3 font="">3>



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GK