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Monólogo à dois

Oi, dona Poesia.
Eu sei que você está sempre presente, que está sempre aqui comigo. Eu sinto você aqui. Sabe naqueles momentos em que uma coisa boba me fez sorrir? Então, eu sei que quem me fez sorrir foi você.
O problema, querida amiga, é que o dia tem sido meio ruim, meio obscuro pra mim. Não só hoje. Tenho tido meus momentos ruins. Tem sido complicado. Tudo passa, eu sei, mas nesses momentos eu me sinto tão sozinha, nem sei que pontuação botar aqui. Já reescrevi algumas vezes.
Tanta gente do meu lado e eu querendo uma só...Seria essa especificidade que me faz mal, Dra Poesia?
É. Não sei como me explicar, sei que quero colo. Quero companhia.
Será que você não quer se materializar aqui do meu ladinho não?

Comentários

Gugu Keller disse…
A poesia é o em versos regresso da paz que se ia.
GK

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cheio de nada

O silêncio dói.
Não saber o que falar incomoda.
A cada palavra não escrita a mão coça
a cada palavra não ouvida o corpo se molda
em algo maior ou menor
dependendo do que for
ou do que deixa de ser.

O não dito corrói.
Queima entre os espaços cheios de nada
que todo o resto vai deixando
conforme a vida acontece
e o resto vai se mostrando
para ser modificado pelo tempo.

O silêncio não faz sentido.
Ele vai se perdendo cada vez que se mostra
ele vai se esvaindo a cada exposição,
pois o silêncio não tem coração,
ele pode até ser inspiração,
mas não é inspirado.

A tua cabeça não mais trabalha,
o teu ouvido não mais escuta,
e teu coração não sente mais culpa,
talvez não sinta amor,
talvez não sinta paixão.
Tua frase não mais se constói,
você está cheio de nada,
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