Pular para o conteúdo principal

cheio de nada


O silêncio dói.
Não saber o que falar incomoda.
A cada palavra não escrita a mão coça
a cada palavra não ouvida o corpo se molda
em algo maior ou menor
dependendo do que for
ou do que deixa de ser.

O não dito corrói.
Queima entre os espaços cheios de nada
que todo o resto vai deixando
conforme a vida acontece
e o resto vai se mostrando
para ser modificado pelo tempo.

O silêncio não faz sentido.
Ele vai se perdendo cada vez que se mostra
ele vai se esvaindo a cada exposição,
pois o silêncio não tem coração,
ele pode até ser inspiração,
mas não é inspirado.

A tua cabeça não mais trabalha,
o teu ouvido não mais escuta,
e teu coração não sente mais culpa,
talvez não sinta amor,
talvez não sinta paixão.
Tua frase não mais se constói,
você está cheio de nada,
porque o silêncio dói.

Comentários

Gugu Keller disse…
O a ser dito, além de muito, é muito louco. O como, além de estulto, muito pouco.
GK
O silêncio nem sempre compensa, para cada palavra silenciada existe um livro inteiro de pensamentos que nos atormentam. Deixe livre, o que precisar ser dito, que seja. Os momentos e as oportunidades não voltam, mas as palavras não ditas vivem em nós para sempre.

Beijinhos <3
Bípede Implume disse…
Olá Vivian
Pois é o silêncio, por vezes é muito barulhento.
Dizem os antigos que é de ouro. Deixa para lá.
Falar é que é mesmo um barulhinho bom.
Beijinho e até breve.
ticoético disse…
Moça,então,primeiro, obrigado,segundo,isso foi bem de encontro ao que eu estava passando semanas atrás é muito angustiante,porém é um imenso prazer te ler,um abraço !
Bípede Implume disse…
Feliz Natal Vivian
Com muita Paz e Amor e muita Alegria também.
Beijinhos.

Postagens mais visitadas deste blog

Oceano

Cada um é um mar.
Alguns mares são mais frios, outros mais distantes, ou revoltos, porém são sempre mar.
Você às vezes nada tanto pra dentro de si mesmo que parece que nunca mais vai voltar. Talvez às vezes você nem volte mesmo. 
Quanto mais você nadar, quanto mais pra dentro você for, mais escuro o caminho vai ficar, o desconhecido carece de luz, e isso não é necessariamente algo ruim, mas com certeza é assustador. É assustador conhecer a si mesmo, perceber a luz e a sombra que habita em você.
Acontece que, às vezes, ir pra dentro não é ir para perto. Você acha que tá lá, chegando perto do que você é, mas quando parece que tá quase lá, não tá, e cada vez mais você persegue algo que você talvez nunca alcance, e aí, quando se dá por si, não existe destino, mas também não tem como encontrar o caminho de volta.
Por muitas vezes eu só lamentei não ser mais o que um dia fui, e até hoje, até agora, enquanto escrevo aqui, eu gostaria muito de ser quem eu era. Eu costumava dizer, e estava di…

Estroboscópicos

2017 está sendo um ano de muito aprendizado. O que com certeza é algo muito bom, mas não necessariamente agradável. Tive muitas surpresas boas sim, muitas coisas boas aconteceram também, mas, se eu pudesse definir o ano (até agora) em uma palavra, seria agridoce. Muitas coisas que aconteceram e ainda acontecem e acabam deixando a gente meio doído, com medo do que o amanhã reserva. O amanhã tem sido bem ambíguo, eu diria, vezes ele é maravilhoso, vezes joga um balde de água fria.
Muita coisa me desgasta e eu nem sei como explicar, mas parece que coisas antes tão prazerosas se tornaram pesadas, lugares que me acolhiam agora me encolhem, mas eu não me sinto no direito de reclamar, pois sei que minha situação não é a pior.
Além de agridoce, 2017 vem sendo esmagador. Talvez um pouco sufocante, com alguns (muitos também, certamente) momentos de respiração estabilizada.
Alguns anos atrás, acho que quase 2, eu escrevi sobre o Maat e o quanto só se conhece a luz quando se vê a escuridão. Não, me…