Oceano


Cada um é um mar.
Alguns mares são mais frios, outros mais distantes, ou revoltos, porém são sempre mar.
Você às vezes nada tanto pra dentro de si mesmo que parece que nunca mais vai voltar. Talvez às vezes você nem volte mesmo. 
Quanto mais você nadar, quanto mais pra dentro você for, mais escuro o caminho vai ficar, o desconhecido carece de luz, e isso não é necessariamente algo ruim, mas com certeza é assustador. É assustador conhecer a si mesmo, perceber a luz e a sombra que habita em você.
Acontece que, às vezes, ir pra dentro não é ir para perto. Você acha que tá lá, chegando perto do que você é, mas quando parece que tá quase lá, não tá, e cada vez mais você persegue algo que você talvez nunca alcance, e aí, quando se dá por si, não existe destino, mas também não tem como encontrar o caminho de volta.
Por muitas vezes eu só lamentei não ser mais o que um dia fui, e até hoje, até agora, enquanto escrevo aqui, eu gostaria muito de ser quem eu era. Eu costumava dizer, e estava dizendo até pouquíssimo tempo atrás, menos até de 1 hora, que eu me queria de volta, achando que, talvez se eu submergisse, eu me acharia, mas não fui fundo, eu fui longe.  A questão é que eu não sou mais quem eu queria ser, nem como eu queria ser. Não tem como resetar, apenas como mudar, e mudar é navegar em si mesmo, mesmo com todas as adversidades

É assustador descobrir que o desconhecido sou eu.

E eu espero dar o melhor de mim pra poder tornar meu mar um oceano.







Comentários

Gugu Keller disse…
Ser humano é o ópio do cruzar clandestino um escuro oceano no próprio submarino.
GK
Se somos o mar, temos em nós a cada instante uma nova onda, mas no fundo somos sempre o mesmo mar.
As mudanças são necessárias e fazem parte do ciclo, cada onda que se quebra, por menor que possa parecer, é a demonstração da nossa própria imponência, pois ela movimenta todas as nossas águas.

Lindo texto!
Beijinhos :*
Hey, Júlia!